TACITURNO
Adilson Sobrinho

Busco incessantemente entender o vazio que ora habita em mim quando adentro o mundo do silêncio. Algo me perturba com tamanha intensidade se comparando aos ensurdecedores decibéis além do audível.

Converso com minha consciência, e, quase sempre sou cobrado por ela:

— Em lugar de ter feito assim, teria sido melhor fazê-lo desta maneira!

A falta de sons é o melhor amigo das auto-cobranças, nesses momentos me atenho onde errei por não fazer e, em que pequei por deixar de fazê-lo...

Socorro , quero um ruído que me acuda !!!!!

Ouço o choro de minha alma, o contorcer de minhas vísceras e o estridente uivar de meus lobos interiores.

A paz que procuro tem sons, quem sabe gregorianos ou canto de pássaros.

A paz que mereço é folia de meninos na rua, bandas de música nos alto de seus tantos coretos ou, água batendo em pedras em um "chuá" infinitamente sonoro e acolhedor...

Não aprendi a me ouvir, talvez por ser muito rude comigo e, nos momentos de profundo silêncio, inevitavelmente me torno réu, acuado melo meu eu de toga, que me sentencia sem piedade.

Não aprendi como o Antunes o prazer de suavemente curtir o barulho do cabelo em crescimento.

Quero a turbulência das ruas, o heavy metal endiabrado, turbinas se alçando para o vôo...

É que nesses momentos sou acometido de uma súbita calma, mudo a direção do meu dedo em riste, apontando-o maléficamente, sempre em direção contrária de mim.

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