REATALHOS DE UM GRANDE AMOR
Dam Nascimento
 
 

Quando a encontrei nem sei o que senti. Era uma noite de belos trajes, boêmia, serenata e botequim. Ela valsava pela madrugada e se julgava amada ao som dos bandolins e eu amava aquela estrela Dalva como a primeira flor que deu em jardim.

Quem é que vai entender o amor; ele simplesmente vem, mesmo no coração de um boêmio que sem traquejo vira um menino apaixonado, mesmo no indefeso coração de uma atriz que viverá um papel real.

Foi na magia de uma noite azul que dois mundos se encontraram, num beijo doce tudo começou; uma paixão voraz que desrespeitava as regras do bom senso, o limite da loucura, os desejos do coração. Como podia dar certo, noite e dia, fogo e água, sintonia e desafino. Contra tudo e contra todos vivemos juntos os melhores momentos de nossas vidas e fizemos juras e brindamos à lua. Vão entender meu Deus, este destino torto, estes caminhos inexatos. A vida que nos juntou um dia nos condenou a viver a saudade. Ela transbordando amor para cada nova Maria que vivia e eu como outro José, versando poesia e trovas até cair o dia sobre o botequim.

Como em um conto sem fadas, amargurado amava sem chegar ao fim e ela valsava pela madrugada e se julgava amava ao som dos bandolins. Simplesmente vestígios de uma paixão voraz.