Tema 016 - COMO EVITAR UM HOMEM NU
BIOGRAFIA
CENA DOIS: COMO EVITAR UM HOMEM NU
Rosi Luna

Vou dar uma oportunidade para uma aspirante de roteirista, a garota é um pouco presunçosa e acha que é fácil escrever.

- Que espécie de pessoa você é, pra me chamar de presunçosa?

- Sou o narrador e vou fazer uma pequena avalição pra ver se voce leva jeito, quer?

- Fala, mas achei você muito metido a dar ordens. Teste? Só porque é narrador pensa que está com essa bola toda.

- É o seguinte, você vai escrever uma cena de amor, mas escreva com todo o sentimento possível.

- De hétero, homo ou animal?

- Animal? Essa é boa, não imagino como seria a cena de amor de uma pulga com um leão. Claro que um casal normal, um homem com um pênis e uma mulher com uma vagina.

- Nossa! Como você é grosseiro, não precisava enfatizar as partes íntimas dos personagens.

- Pode chamar como quiser, mas está perdendo linhas, já devia ter começado.

- Olha Sr. Narrador tenha calma, fico nervosa com teste. Preciso fazer algumas perguntas. Me fala sobre os personagens, quais são os nomes, ondem vivem, eles se conhecem a muito tempo?

- A cada momento você perde linhas, vou ser breve e direto, como uma boa cena deve ser. Não precisa colocar nomes nos personagens chame-os apenas de um homem e uma mulher. Não precisa localizar nada, não tem espaço pra isso. Eles se conhecem só por carta, há mais de um ano, mas imagine que moram longe um do outro. Que lugar você já foi que era muito longe?

- Fui em Oslo.

- Não me diga que foi procurar o bacalhau da Noruega.

- Claro que não, se não estivesse me avaliando ia te dar uma resposta.

- Você é topetuda eh! garota.

- Fica olhando, que vou escrever a cena.

CENA UM (ANTE-SALA/INT/DIA)
CAM abre mostrando detalhes da expressão do rosto da mulher, ela fita o homem como se não acreditasse estar ali naquele lugar a sós com ele. Superclose das pernas dela cruzadas. Corta para mostrar a figura do homem que observa atentamente percorrendo cada detalhe do vestido até fixar o olhar nos sapatos dela.
MULHER - Tanta complicação... Não sei o que estou fazendo aqui.
HOMEM -  O que quero saber, é se queria estar aqui?
MULHER - Queria muito.
CAM mostra ele abrindo a porta do frigobar, pega um vinho e serve duas taças.
HOMEM - Vem cá, senta aqui no meu colo, deixa sentir você perto de mim. Toma um golinho do vinho, relaxa anjo.
MULHER - Vou tentar.
CAM mostra o homem acariciando as pernas e apreciando os sapatos.
HOMEM - Gostei desses seus sapatos vermelhos, que macio é veludo?

O narrador parece um louco, aos gritos e acaba de me interromper.

- Para, pode parar. Stop!

Minha querida aspirante de roteirista, está fazendo a cena para um convento, cadê o sexo?

- Estou meio desconcertada, sem jeito, com timidez, é uma cena difícil, vou melhorar espera pra ver.

CENA 2 (QUARTO/INT/NOITE)
O homem encontrou com ela de tarde, mas agora já aparece a lua, eles estão no quarto, meia-luz, uma música suave ao fundo, eles vão se desnudando aos pouquinhos, precisaria de muitas palavras pra descrever a emoção desse momento. Fica só duas: Paixão e Admiração.
HOMEM - Vem deixa te abraçar, deixa sentir o cheirinho só teu.
CAM mostra a mulher desabotoando a camisa dele, sua mão vai percorrendo caminhos e fazendo carinhos.
MULHER - Não consigo falar.
HOMEM - Não fala, já conheço tuas palavras.
MULHER - E gostas um pouquinho delas?
HOMEM - Gosto, mas esse teu corpinho também ajuda, não fica brava.
MULHER- Sabia que gosto do teu senso de humor...
HOMEM - Me beija.
CAM mostra um beijo de língua, corpo e alma, se é que isso é possível.
HOMEM - Vou tirar esse teu sutian branco lindo, quero sentir teus peitinhos.
MULHER - Sente... sente que estou tremendo.
HOMEM - Calma meu anjo, é só um homem e uma mulher se amando, sem complicações, esquece tudo, só se amando, só isso.

Nova interrupção do narrador.

- Stop de novo! Garota você não escreveu, tem que falar de sexo, de copular entende, tem que ser direta. Não tem como evitar um homem nu.

- Tá bom, então leia abaixo. Não vou mais fazer as falas, vou descrever a cena.

Não tive como evitar um homem nu, queria estar com ele e sentir todo o seu corpo e todo o seu carinho.

Minha definição de copular era: pular com, pular em cima, foi isso que fiz. A cena de copular, era uma cena de amor, de sexo, de paixão, de literatura, de filme. O homem e a mulher não tinhas nomes, estavam longe, provavelmente em Oslo, foi o lugar mais extremo que já fui, eles se amaram  aos extremos também, com um desejo contido por muito tempo. As cenas mais tórridas não foram autorizadas a ser publicadas, mas o par romântico deu tão certo que eles já falam em um novo filme. Provavelmente vão se encontrar na África naquele hotel seis estrelas, próximo a baía dos hipopótamos, eles merecem todo esse luxo! E nem preciso enfatizar, mais eles co-pularam bastante... e foi muito prazeiroso.

O resultado da avaliação acaba de chegar, deixa abrir.

APROVADA. Pode trabalhar com cinema, tem muito o que aprender, mas leva jeito, tem muita fantasia e gosta de cenas, elas são tão tocantes, que passam até um pouco de realidade.

Acabo de ler o resultado do meu teste, acho que ele tem razão, tenho alma cinematográfica, deixa o filme rolar.

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