NOSSA GRANDE AMIZADE
Afonso José Santana
 
 
Lembro-me que quando conheci meu grande amigo, ou melhor, amiguinho, me senti como se estivesse nas estrelas, pois, me senti amado. O que nunca acontecera comigo. O difícil era tentar conversar com meu amiguinho. Nossas conversas não se cruzavam. Nossos idiomas eram diferentes. Enquanto eu tentava dizer uma coisa, ele me dizia outra, e um não entendia o outro. Mas na hora das brincadeiras, ah, era a hora mais gostosa do mundo. Nesse momento não precisava haver entendimentos, pois um entendia o outro. Corríamos, pulávamos... me lembro até de um dia em que eu vendo-o pedir por socorro, pois havia caído e parece ter quebrado o tornozelo eu fiquei sem ação. Sabia que havia algo errado com ele, pois, o via chorando. Só assim eu entendia que algo não ia bem. Corri, corri, corri o mais que pude, até que tropecei e uffff! Machuquei minha perna esquerda. Puxa, parece que o mesmo que aconteceu com ele aconteceu comigo também. Mas não podia deixar de pensar na dor que ele estava sentindo e, no lugar ermo em que nos encontrávamos se eu não encontrasse alguém para ajudá-lo nem sei o que poderia acontecer ao meu grande amiguinho. Então mesmo mancando corri, corri o mais que pude para buscar ajuda. Exausto cheguei à sua casa, ou melhor, à nossa casa. Gritei pela mãe dele, até que ela saiu no quintal e, percebendo minha apreensão me seguiu até ele. Eu correndo na frente, machucado, ela atrás de mim preocupada, percebendo que havia acontecido algo de grave. Tão logo chegamos ao local onde estava meu amiguinho sua mãe o abraçou, pegando-o no colo, levando-o para casa. Tomou todos os cuidados que só uma mãe sabe tomar e, percebendo que eu também estava machucado tomou-me pelos braços, beijando-me por ter ido buscar ajuda para seu filho, fez-me carinho e cuidou de mim. Meu amiguinho chegou-se a mim também me acarinhando, quando a sua mãe falou:

- Esse sim, meu filho, é o melhor amigo do homem. mesmo com a patinha da frente machucada me levou até onde você estava, não se importando com a própria dor.

ah, e eu, como só analiso, não falo, abanei o rabinho em agradecimento. Foi mais um dia feliz na minha vida.